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Pais, filhos e o mundo atual

Pais, filhos e o mundo atual
25 abr 2018

capa SWFlorida #20Dia após dia aumentam as noticias envolvendo agressões entre crianças e jovens, alunos e professores e tragédias nas escolas, crimes cometidos por crianças, adolescentes ou pessoas ainda bem jovens.
Cada tragédia e cada vida que se perde é um momento doloroso que choca o mundo.
Mas será porque ou o que está causando tanta revolta nas crianças e jovens? Até que ponto esses fatos estão ligados a problemas psicológicos? Existe alguma culpa na criação de hoje? Qual o melhor caminho para tentar prevenir que os filhos se tornem jovens rebeldes?
A revista SW Florida BrazilUsa buscou respostas com um profissional da área, o pscoterapeuta Leo Fraiman, especialista e mestre em Psicologia Educacional e do Desenvolvimento Humano pela USP. Autor de vários livros educacionais, consultor em programas de TV e palestrante internacional, já ministrou cursos e conferências em vários países. Leia o que ele diz sobre o assunto:

QUEM MIMA HUMILHA

LIÇÕES DE CASA CONTRA AS DESGRAÇAS DO MIMO EXAGERADO
A neurociência ensina que ao nascermos nosso cérebro se parece com um bloco de tijolo, a ser esculpido pelas experiências. Assim, dependendo dos estímulos e situações expostas, aprendemos a falar uma língua ou ser poliglotas. Seremos hábeis atletas ou praticantes medianos. Alunos dedicados, ou mimados.
Por diversos motivos crianças e adolescentes tem sido destreinados a esperar, ceder, criar soluções para seus próprios problemas, manter o foco, perseverar, ter empatia e saber se relacionar em grupo. Há propaganda hedonista nos meios de comunicação, que se por um lado dá voz, vez e valor, retirou dos pais o comando da casa.
Pelo cansaço da vida cotidiana, que não oferece nem certezas nem garantias, pelo desejo de fazer os filhos felizes, vê-los sorrir ao serem atendidos em suas demandas, muitos se rendem aos apelos dos filhos sem o menor critério.
O padrão de valores também sofreu abalo. Filhos gritando com a mãe palavras pesadas e o pai olhando assustado, sem ação. Crianças com seus blogs aos 3 anos de idade, expostas ao mundo online, com perigos em diversos níveis. Alunos nas escolas que gritam com os professores, e os pais ao serem chamados a uma reunião contestam culpando professores pela situação.

Como se chegou a isto?
São diversas as razões:
– Para não ter que lidar com o vazio de suas vidas,
– Compensar uma suposta ausência devida ao fato de trabalhar demais,
– Por que dá trabalho,
– ou mesmo por que é gostosinho ver o filho sorrindo, e etc.
Muitos pais erram ao agradar, mimar, atender em tudo seus filhos.
Acreditando que estão criando uma pessoa feliz, eles acabam humilhando seus filhos, na medida em que tiram deles a percepção de que são de carne e osso. Que na vida real há frustrações, espera, impedimentos, dificuldades, dores e decepções.
Os “mimados” não aprendem a se superar, criar estratégias alternativas para suas questões, ter paciência, manter a determinação nas tarefas longas, eles sentem mais dificuldade em lidar com a dor e a decepção, driblam a qualquer custo a solidão, e assim a vida real fica insuportável. É neste cenário que as drogas podem entrar mais facilmente. Como uma alternativa desastrada de driblar o “osso duro” da vida que temos que aprender a roer. Impor esta condição a alguém é humilhante.
Por isso a responsabilidade dos pais na educação dos filhos precisa passar pelo terreno do critério.
Pais narcisistas, que não dizem não aos filhos criam seres iludidos, sem condições de lidar com as negativas reais.

SUGESTÕES AOS PAIS
1)A primeira lição é perceber que prazer é diferente de felicidade. O primeiro se refere a uma sensação agradável, gerada por algo externo.
Mas nem todo prazer faz bem. O traficante oferece prazer de forma gratuita a seus clientes. Ele chega mansamente, oferece algo que dá “barato”, geralmente nem cobra e quando se vê o cliente passa a precisar daquela sensação. Sem ela a vida parece não ter brilho.
Há que se distinguir seriamente os prazeres que agregam à nossa vida e os que a des-graçam. Como? Por exemplo: o que é bom agora e gera um mal-estar, bronca ou arrependimento depois, não serve. O que é difícil agora, mas soma valor no futuro, vale a pena.
2) A segunda lição trata de um padrão de ensino sistemático e claro de valores. Diante das situações mais simples do dia a dia, antes das compras, dos programas, do aumento da mesada, da permissão de passeios, a pergunta a ser feita e debatida é o que isso vai agregar de fato à sua vida? Eu quero porque quero serve apenas nas situações em que o filho se comporta com recato e autonomia, ou seja, ele arruma sua cama, trata aos demais com empatia e solidariedade, está em dia com suas notas e cuida da saúde de acordo com o combinado. Neste momento cabe algum privilégio. Isso significa educar de forma consciente e empoderada.
3) A terceira lição é o respeito. Filhos tendem a respeitar pais e mães que se respeitam. No passado os familiares dedicavam menos tempo aos filhos, menos regalias, presentes e mimos, eram mais exigentes e mais respeitados. Se aprendia a respeitar os mais velhos, não pisar no jardim do vizinho, levantar a mão na sala de aula e que o mau comportamento tinha consequências. Tornamo-nos adultos maduros, bem sucedidos, justamente por que nossos pais se respeitavam, éramos treinados a nos frustrar, a esperar, reconhecer que nossos irmãos, primos, vizinhos, nosso meio social merecia sempre o nosso melhor.
Em uma vida acelerada e incerta, falhar nestas lições pode gerar danos irreversíveis ao caráter dos filhos. Isso significaria um ato de dês-amor, pois quem ama cuida. Quando parecer tentador evitar tais lições, lembre que educar não é um sacrifício, mas um sacro-ofício do qual se deve ter orgulho em assumir.

Lembre-se: no futuro seus filhos agradecerão. Não era o que sua mãe lhe dizia? Pois agora é a sua vez, seus filhos são o seu legado para o mundo.

Leo Fraiman

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