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Febre Amarela

Febre Amarela
20 fev 2018

Está pensando em viajar para o Brasil? É importante saber que está sendo indicada a vacinação contra Febre Amarela para pessoas que irão viajar para locais de risco. Atualmente, a recomendação é válida para os seguintes estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Caso nunca tenha recebido a vacina contra febre amarela ou caso tenha sido vacinado há mais de dez anos, esta deve ser aplicada com pelo menos dez dias de antecedência da viagem.

 

A Febre Amarela é uma doença infecciosa, mas não contagiosa, causada por um vírus transmitido por mosquitos tanto de hábitos urbanos (Aedes aegypti), quanto silvestres (dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Apesar do Brasil ter conseguido a erradicação da forma urbana em 1942, ano que registrou o último caso no Acre, a forma silvestre sempre esteve sob vigilância. Esta forma circunda as áreas rurais e de florestas, tendo como principal reservatório do vírus os Primatas Não Humanos (PNH), macacos de alguns gêneros específicos. Esses primatas inclusive vivem sob vigilância, sendo suas mortes sentinelas de intensificação da ação do vírus. Essa doença estava sob controle até 2014, mas em dezembro de 2016 houve um aumento significativo no número de casos.

 

O atual surto, atingindo as cidades, tem como vetor um mosquito conhecido dos brasileiros: o Aedes aegypti, mosquito transmissor também de outras doenças infecciosas em epidemia no país: Dengue, Zika e Chikungunya.

 

Em cerca de 90% dos indivíduos infectados pelo vírus, a febre amarela é assintomática, ou seja, não apresenta sintoma algum referente à infecção. Quando há manifestação clínica, os sintomas mais comuns são febre baixa, dores musculares em todo o corpo (principalmente nas costas), dor de cabeça, dor nas articulações, náuseas, vômito e fraqueza. Esses sintomas geralmente duram de três a cinco dias. Após 24h da remissão desses sintomas é que se pode manifestar as formas graves, que atingem diversos órgãos, principalmente fígado e rins. Então os indivíduos podem apresentar febre alta, icterícia (pele e olhos amarelados), vômitos com sangue, urina escura, sangramentos de pele e olhos avermelhados.  Essa evolução é grave e pode ser fatal.

 

Não há tratamento específico para a doença, sendo que o cuidado deverá ser recomendado por um médico, caso a caso, de forma que os casos mais graves necessitam internação hospitalar e cuidados de suporte clínico. É importante ressaltar, que assim como na dengue, não se deve utilizar anti-inflamatórios e AAS (ácido acetilsalicílico), por aumentar o risco de sangramento.

 

Oswaldo Cruz, o maior médico sanitarista do Brasil, desde o início do século XX já iniciava a luta contra o mosquito transmissor dessa doença, instalando medidas que até hoje são válidas. Recomendações para a exterminação de criadouros do mosquito:

 

  • Limpar com frequência locais que possam acumular água parada;
  • Limpar calhas e telhados;
  • Colocar areia nos pratos de plantas, para evitar água parada;

 

Recomendações para prevenção individual contra a picada do mosquito:

  • Usar camisas de mangas longas e calças compridas, de preferência de cor clara;
  • Ficar em lugares fechados com ar condicionado, ou que tenham janelas e portas com tela para evitar a entrada de mosquitos;
  • Dormir debaixo de mosquiteiro;
  • Evitar o uso de perfumes durante atividades ao ar livre nos ambientes de matas silvestres;
  • Usar repelentes adequados, e sempre seguir as orientações das bulas. Quando usados da maneira correta, são seguros e eficazes mesmo na gestação ou amamentação;
    • Evitar uso de produtos com associação de repelente e protetor solar na mesma formulação. Não esqueça também da importância do protetor solar para sua saúde, por isso aplique-o antes do repelente;
  • Não usar produtos com permetrina diretamente na pele, mas utilizar roupas impregnadas com permetrina.

 

Para crianças:

  • Não usar repelente que tenham o DEET como princípio ativo em crianças com menos de 2 anos de idade;
  • Os repelentes que têm como princípio ativo a icaridina podem ser utilizados em crianças a partir de 6 meses de idade, dependendo da concentração, conforme recomendação em bula;
  • Vestir as crianças com roupas que cubram braços e pernas;
  • Cobrir berços e carrinhos com mosquiteiros impregnados com permetrina.
  • Não aplicar repelente nas mãos das crianças.

 

Qual a recomendação sobre a vacinação contra febre amarela?

Crianças em áreas de risco devem receber uma dose a partir dos nove meses de idade e uma dose de reforço quando completarem quatro anos, sendo que as duas doses devem ter, no mínimo, 30 dias entre uma e outra.

 

Aos adultos nunca vacinados, vale a vacinação em dose única. Aos já vacinados alguma vez, podem-se considerar imunizados. Para aqueles que vão viajar a áreas endêmicas e nunca foram vacinados, é recomendada a vacinação 10 dias antes da partida para que o organismo possa criar imunidade contra o vírus, sem necessidade de reforço.

 

A vacina é contraindicada a:

  • Indivíduos com alergia a algum componente da vacina, ou alergia a ovos e derivados;
  • Indivíduos com doenças que levam a alterações no sistema de defesa, nascidas com a pessoa ou adquiridas, incluindo quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides;
  • Histórico de doença do timo (órgão linfático), incluindo a miastenia grave, câncer ou remoção do timo anteriormente;
  • Indivíduos sintomáticos infectados pelo HIV que estejam doentes ou apresentam defesas baixas;
  • Crianças com menos de 6 meses de idade.

 

A vacina deve ser considerada segundo avaliação e recomendação médica nas seguintes situações especiais:

  • Crianças entre seis e oito meses;
  • Pessoas com idade acima de 60 anos;
  • Gestantes;
  • Mulheres amamentando crianças menores de seis meses.

 

A vacina raramente causa efeitos colaterais, mas quando ocorrem as reações mais comuns são: dor de cabeça, reações no local de aplicação como dor, vermelhidão, hematomas, inchaços, que podem ocorrer em até 2 dias depois da vacina. Outras reações também são possíveis, e devem sempre ser avaliadas por um médico.

 

Katerin Demozzi – Médica

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