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A era do circo

A era do circo
24 mar 2019

Justo González, teólogo e historiador cubano, escreveu uma série de textos (obra de 10 volumes) intitulados “Uma História Ilustrada do Cristianismo”. Um aspecto interessante deste trabalho, foi como González definiu os títulos de cada volume, começando sempre com “A era dos…”. Assim, o volume 1 foi intitulado “A era dos mártires”, pois tratava dos primórdios do Cristianismo. O volume 2 recebeu o título de “A era dos gigantes”, o volume 3 foi “A era das trevas”; e assim seguiu- se até o volume 10: “A era inconclusa”, que cuida da história do Cristianismo no século XX.
Eu tenho imaginado se Gonzáles escrever um volume 11 (e pode ser até que o esteja fazendo), que título daria para um texto sobre a história da igreja cristã no século XXI? Fosse eu a escrever esse texto, não teria dúvida: “A era do circo”.
Com muita tristeza constato que vivemos um tempo quando a igreja cristã, em muitos contextos, tem propugnado cada vez mais pelos números, pelo mercado e pelo marketing, contracenando nesses meandros, com a mediocridade de uma membresia infrutífera, apática, insensível e indiferente ante aos desafios do Reino de Deus.
Os cultos e as reuniões em muitas igrejas disputam as plateias. Não atraem mais os pecadores pelo poder de Deus explicitado pela exposição da Sua Palavra. Aliás, falar de exposição da Bíblia hoje é remar contra a maré. O público corre para o show, se aglomera para rir e ter um tempo light de entretenimento religioso, sem a confrontação de temas como pecado, juízo, santidade, testemunho e fidelidade aos valores do Evangelho. Em muitos casos também a música cantada é pobre de Bíblia, marcada mais por repetições e menos por afirmações fundadas na Palavra de Deus.
Na era do circo, em muitos contextos, o pastor foi substituído pelo animador, os músicos pelos artistas, os ministros pelos malabaristas, trapezistas, mágicos, palhaços e domadores. Na era do circo o genuíno tem cedido lugar ao artificial, a ética e moral cristãs dão sinais de arrefecimento; o culto tem virado show, o santuário tem sido mais semelhante a um picadeiro e o foco de muitas igrejas não está mais em expor de forma clara a resposta de Deus às necessidades e angústias do ser humano, mas sim em oferecer algo que sacie os seus desejos.
A nota de esperança, graças a Deus, é que ainda existe a igreja que resiste com coragem e fidelidade às pressões circenses do século XXI. A igreja da resistência não se comporta como plateia que aplaude e ri, não se conforma com psicologia aplicada em forma de sermão, nem com fórmulas prontas tipo receituário; tampouco se deixa seduzir pelos astros do púlpito, das câmeras e dos estúdios. A igreja que resiste ao circo luta pelo Evangelho puro e simples, o Evangelho da graça de Deus.
Resistamos firmes ao circo em que muitos hoje querem transformar a igreja de Jesus.

Lécio Dornas

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